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13/07/2009 Obesidade na criança e no adolescente
Há muito tempo que criança rechonchuda deixou de ser sinônimo de criança saudável. O fato alarmante é que a obesidade infantil e na adolescência aumentou de forma significativa nos últimos trinta anos ao ponto de se transformar num sério problema de saúde que já atinge parte expressiva da população nessa faixa etária. Esse fenômeno é mundial, manifestando-se não só nos países desenvolvidos, mas também nos países em desenvolvimento como o Brasil. Nos Estados Unidos aproximadamente 25% das crianças entre 6 e 17 anos são obesas ou apresentam risco de sobrepeso. Atualmente, no Brasil, alguns estudos mostram que aproximadamente 15 a 18% das crianças e adolescentes apresentam sobrepeso e obesidade e, em algumas cidades, esse número atinge 30%. Esses números são preocupantes, pois há alguns anos as alterações metabólicas associadas à obesidade, como a dislipidemia, a hipertensão e a intolerância à glicose, considerados fatores de risco para o diabetes mellitus tipo 2 e as doenças cardiovasculares, eram mais evidentes em adultos; no entanto, hoje são observadas freqüentemente nessa faixa etária. A obesidade, já na infância, está relacionada a várias complicações que não se restringem ao diabetes mellitus tipo 2 e doenças cardiovasculares, como também a uma maior taxa de mortalidade. E, quanto mais tempo o indivíduo se mantém obeso, maior é a chance das complicações ocorrerem, assim como mais precocemente. Podem advir problemas ortopédicos, respiratórios (infecções, apnéia do sono, asma) e inflamações crônicas. Além do impacto na auto-estima, as crianças e adolescentes podem apresentar transtornos da conduta, sinais de depressão ou angústia, resultado do preconceito e das brincadeiras de mau-gosto. As crianças obesas têm maiores possibilidades de tornarem-se adultos obesos. Estatisticamente observa-se que 40% das crianças obesas tendem a tornar-se adolescentes obesos e 80% destes, adultos obesos. Vários são os fatores envolvidos na gênese da obesidade, como os genéticos, fatores pré-natais como a obesidade, o diabetes materno e o excesso de alimentos ingeridos durante a gravidez, fisiológicos e metabólicos; no entanto, o aumento no consumo de alimentos ricos em açúcares simples e gordura e a diminuição da prática de exercícios físicos são àqueles que parecem explicar este crescente aumento do número de crianças e adolescentes obesos. O acesso mais fácil aos alimentos ricos em gorduras e açúcares simples como pães, doces, chocolates, refrigerantes, salgadinhos e batata frita fizeram com que estes fossem ingeridos em quantidades sem precedentes na história da humanidade. Por outro lado, mudanças no estilo de vida das crianças (outros tipos de brincadeiras, mais tempo frente à televisão, internet, jogos de computadores e vídeo games, maior dificuldade de brincar na rua pela falta de segurança), levaram a um maior sedentarismo e conseqüente redução no gasto energético. Crianças mais ativas são mais magras do que aquelas que se movimentam pouco. O número de horas que a criança passa diante da TV, entretida com programas infantis ou videogames, está diretamente ligado ao aumento de peso. Em um trabalho realizado no México os autores concluíram que a TV aumenta o risco de obesidade não só por desviar a criança das atividades físicas, mas por induzir à ingestão de alimentos altamente calóricos, pois são bombardeadas por hora por dez comerciais que anunciam doces, balas, chocolates, refrigerantes, biscoitos e outros alimentos de conteúdo energético alto. Outro trabalho comprovou que crianças de três a cinco anos submetidas a esse bombardeio diário dos anunciantes costumam escolher as guloseimas da TV, quando são oferecidas como opção frutas e outros alimentos saudáveis. A obesidade não é um problema que se resolve sozinho. O tratamento deve contemplar aspectos relacionados à atividade física, educação nutricional e apoio psicológico. A tentativa de mudanças nos hábitos de vida das crianças obesas torna-se essencial, promovendo o estímulo para a prática de exercício físico, assim como estimulando a criança a desenvolver hábitos alimentares mais saudáveis e bem equilibrados. O tratamento da criança obesa não pode ser isolado da família, os pais devem dar o exemplo. Programas de tratamento que incluem outros membros da família têm mais sucesso que programas que incluem somente a restrição alimentar e a prática de atividade física da criança obesa.
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