
Segundo os pesquisadores, rotação está acelerando cerca de 4 milésimos de segundo de arco por ano
Dados coletados pela missão InSight, da Nasa, a Agência Espacial Americana, apontam que Marte, que por décadas foi considerado um planeta inerte, está girando cada vez mais rápido.
De acordo com os pesquisadores, a rotação está acelerando cerca de 4 milésimos de segundo de arco por ano, uma variação que, até então, era um mistério. As primeiras hipóteses sugeriam que o fenômeno poderia estar ligado ao rebote pós-glacial ou ao acúmulo de gelo nas calotas polares, já que ambos redistribuem a massa do planeta e podem alterar sua rotação.
Um estudo mais recente, publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, traz outra explicação. Segundo os autores, a aceleração pode estar relacionada a uma grande anomalia no manto abaixo da região de Tharsis. A província sempre despertou a curiosidade dos cientistas, já que concentra alguns dos maiores vulcões do Sistema Solar, incluindo o Monte Olimpo.
Ao contrário da Terra, Marte não possui placas tectônicas ativas. Por isso, o magma permanece concentrado na mesma região ao longo de milhões de anos, dando origem a elevações gigantescas.
Com base em simulações que utilizam dados sísmicos e gravitacionais, pesquisadores indicam agora que essa área pode estar sobre uma “anomalia de massa negativa”, uma região do manto formada por material menos denso que o entorno. Essa estrutura, possivelmente uma pluma, uma coluna de material quente que sobe lentamente do interior do planeta em direção à superfície.
Ao alcançar a litosfera, essa pluma pode formar bolsões de magma e até sustentar atividade vulcânica, além de provocar a redistribuição de massa no interior do planeta. “Uma massa mais leve subindo implica que material mais denso está descendo. Como essa redistribuição ocorre próxima ao equador, ela aproxima massa do eixo de rotação, acelerando o giro do planeta.”, explica o pesquisador e coautor do estudo, Bart Root, da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda.
Se confirmada, a hipótese indica que Marte ainda preserva calor interno suficiente para manter movimentos no manto. Os autores, no entanto, ressaltam que ainda há incertezas. A viscosidade do manto marciano, por exemplo, é pouco conhecida, exigindo que novas missões com foco em medições gravitacionais e sísmicas sejam necessárias para confirmar a explicação.
Fonte R7


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